Sinopse: O Caderno de Maya, diferentemente dos tradicionais romances de Isabel Allende, é passado nos dias atuais. Apresenta a trama de uma garota americana de 19 anos que encontrou refúgio em uma ilha remota da costa do Chile, depois de cair em uma vida de drogas, crime e prostituição. Segundo a autora, a inspiração para escrever este livro veio do problema com drogas enfrentado pelos três filhos de seu marido. O mais velho enfrentou problemas com heroína durante anos, entrando e saindo de diversas clínicas de reabilitação. A filha do meio morreu de overdose, tendo até se prostituído.
A história começa com Maya, uma adolescente de 19 anos, chegando em Chiloé, uma ilha no Chile, onde se refugia. No início achei que não conseguiria chegar até o final do livro, achei-o muito lento, monótono, mas depois que a história realmente "começa" me envolvi por completo. A história é contada em primeira pessoa, por Maya e é divida em quatro partes, as quatro estações do ano (Verão, Outono, Inverno e Primavera). O livro alterna presente e passado (é quando ela escreve em seu caderno tudo que já passou). É meio confuso porque o leitor está em um momento e no parágrafo seguinte voltamos 1 ano no tempo, mas depois que entende-se que ela conta seu passado através do caderno, a leitura flui mais facilmente. Pode-se dizer que o livro conta a verdade "nua e crua" deste universo de vícios, uma adolescente drogada que passa por tudo de pior que pode-se imaginar. Isabel Allende trata do tema sem nenhuma sutileza, a história não chega a ser cruel, mas a autora trata da realidade sem tentar mascará-la de forma mais suave. A protagonista é trabalhada com tanta profundidade que nos vemos sofrendo sua angústia junto com ela. A leitura fica tensa em certos momentos e algumas cenas são bem fortes. É um ótimo livro, recomendo!
"O que mais chocou minha Nini foi a minha falta de escrúpulos. Nas mensagens, que iam e vinham ao ritmo de umas cem por dia, ela não encontrou nem mesmo um resquício de remorso ou temor às consequências, apenas um descaramento de safada nata."